quarta-feira, dezembro 04, 2013

ㅤㅤㅤ ─ Inocência.






   De fato estou mais uma vez vagando pela rua enquanto carrego seu cheiro comigo.
    Ainda tenho o teu maço de cigarros e até as palhetas que você comprou naquela loja - que cheirava a coisas antigas - e esqueceu na minha bolsa. Tudo nesse exato momento é um clima do que ficou, são aspas das palavras que você cuspiu na minha cara. Que você fez questão de pronunciá-las com tanto prazer.
    Tomei cinco cartelas de aspirina quando você me expulsou da sua casa, da sua vida e a dor de cabeça não passou. – Preciso de mais... Preciso de mais duas cartelas.

    Sabe... Eu dormi com o estagiário novo, com o cara estranho do bar, com a minha melhor amiga e com o teu amigo. Não me arrependo de nada que fiz com eles e pra eles. Não me arrependo nem um pouco e se houver a oportunidade, farei de novo. 
   Você voltou uma semana depois, na porta da minha casa, segurando uma margarida. Bem-me-quer, malmequer. Brinquei olhando nos teus olhos. Um sorriso forçado, típico vindo de mim. Arranquei todas as pétalas e adivinhe em qual pétala parou... Malmequer.
    Assoprei muitas velas de aniversário e dentes-de-leão, pulei sete ondas no ano novo e pensei em você quando o relógio marcou meia-noite. - risos - Além do mais, no ano novo eu faço aniversário, lembra? Implorei para que as estrelas caíssem e me concedessem um pedido, até guardei alguns trevos de quatro folhas na carteira, de baixo do travesseiro e na sola do sapato como diz o ditado. Fui para lua, para fossa, para igreja. Gozei no meio da rua e proclamei meus pudores para o padre e ele se assustou e mandou-me rezar. Quem não mandaria. - risos
   Minha conjunção por você é sagrada.
   De joelhos, continuei rezando.
   Minha oração está na volúpia e na poesia. - Tome tento menina.
   Não, eu só tomo pinga, seu padre.
   E você volta para mim outra vez como quem não quer nada com nada e eu, por tanto desejar, aceitei. 

   Leva-me para de baixo do edredom, me guarda dentro das suas calças. Apaga-me, me deixa ser só uma cicatriz no teu ombro direito, nas tuas costas... Nos teus lábios, no teu pescoço... Mas deixa eu te marcar. Deixa eu te mostrar o que eu sei e posso fazer. Com você, por você. Por nós.
   Eu fui à fúria que se escondia atrás das cortinas, o desejo balançando a barra das saias. Sou o que sobrou de você em mim, basta apenas observar. Sou mulher, estou nua, estou só, sou toda tua. E eu sei ser, sei parir, gritar, correr, sorrir, sambar, dançar e gozar. Como sei.
    Sei te ter sem nem te tocar e sei ser piegas em falar sobre meu amor e quem sabe até sobre o nosso. Sou a outra, a vadia, a princesa e a ninfeta. Sou aquela que quer sentir tesão no mundo inteiro, que quer gozar cada pessoa que conhece, aquela menina que, na pura inocência de ser, sou.
    Mas acima de tudo, eu quero e desejo ser apenas tua.




             .Inocência.   04.12.13   Mello.k



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